Delegação de Figueira da Foz

História e valor artístico

O Palácio da Rocha do Conde d`Óbidos foi mandado construir no segundo quartel do século XVII, por D. Vasco de Mascarenhas, alcaide-mor e 1.º Conde d`Óbidos.

Em 1919, por escritura lavrada a 30 de Junho, entre D. Pedro de Mello d' Assis Mascarenhas, 11º Conde d' Óbidos, e o General Joaquim José Machado, 8º Presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, é adquirido, por 65 contos, pela Sociedade Portuguesa da Cruz Vermelha. À data da compra, a área nobre do palácio estava alugada ao Club Inglês. Posteriormente, com a autorização da Cruz Vermelha Portuguesa, nele funcionou a Secretaria da Academia Portuguesa de História. Foi, ainda, residência de Jorge Colaço, autor do painel de azulejos exposto no Terraço e serviu, durante a Segunda Guerra Mundial, de enfermaria aos prisioneiros das potências beligerantes.

Edificação seiscentista sofreu, ao longo da sua existência, obras de grande vulto. Com a mudança definitiva dos serviços da Sociedade Portuguesa da Cruz Vermelha, da Praça do Comércio para o Palácio, esta recebeu, sobretudo no seu interior, uma completa renovação. Essas obras de restauro e de embelezamento que, de algum modo, alteraram a traça original, conferiram ao palácio uma maior riqueza decorativa.

O portal nobre, encimado com o brasão de armas dos Condes d'Óbidos supra-coronado com a coroa ducal, é ladeado por seis painéis de azulejos monocromos, tipo século XVIII, com figuras de um fidalgo, um albardeiro e uma dama.

O átrio do palácio, ostentando os bustos do rei D. Luís I e da rainha D. Maria Pia, protectores da Cruz Vermelha em Portugal, dá acesso à Biblioteca e às salas. Estas, conhecidas por sala do Conselho Supremo ou sala Diana, sala das Parábolas, sala D. João de Castro ou das Tapeçarias, sala da Mitologia e sala das Grinaldas, estão decoradas com painéis de azulejos monocromos, com alegorias que aludem a cenas mitológicas, bíblicas e à história do Oriente. Pelas paredes fixam-se retratos dos presidentes da Cruz Vermelha Portuguesa.

Na sala de Jantar, silhares de painéis da autoria do Coronel Vitória Pereira, desenhados em 1937, representam curiosas cenas palacianas. No tecto, pinturas de Gabriel Constante, igualmente autor dos azulejos e pinturas que ornamentam a sala D. João de Castro, a Biblioteca e a fachada do portal nobre, reproduzem a evolução do palácio desde o século XVII ao século XX.

Na Biblioteca, antigo salão do palácio reconstruído após 1935 segundo a concepção de Afonso de Dornelas, destaca-se um grande lustre de cristal, de fabrico na Marinha Grande, suspenso sob uma pintura representando a Paz de Alvalade, em que a rainha Santa Isabel prega a concórdia entre o rei D. Dinis e D. Afonso. Esta imagem central está rodeada de pinturas alegóricas das sete artes liberais.

A Capela, dedicada a Nossa Senhora da Conceição e aberta ao culto por provisão de 16 de Junho de 1948, apresenta uma rica e exuberante decoração com as suas paredes e tectos revestidos de azulejos policromos e pinturas.

As características e indiscutível beleza do Palácio da Rocha do Conde d' Óbidos reconhecido em 1993, como imóvel de interesse público, despertaram, desde muito cedo, interesse para o seu aproveitamento para a organização de eventos sociais e culturais.